Segurança do processo

Como funciona a validação por videoconferência do certificado digital

A pergunta mais honesta antes de emitir um certificado por videoconferência é "isso é seguro?". A resposta, com a norma citada.

Resposta direta

É um processo regulamentado pela Instrução Normativa ITI nº 36/2026, em vigor desde 5 de maio de 2026 — não uma videochamada informal. A norma lista cinco métodos admitidos de confirmação de identidade (presencial, videoconferência, uso de certificado válido, módulo eletrônico de AR, AR eletrônica) e dedica um capítulo próprio à videoconferência, com detecção obrigatória de vivacidade contra deepfake, prevenção a injeção de imagem ou vídeo gravado, bloqueio de câmeras virtuais, sessão em tempo real sem interrupções, criptografia de ponta a ponta e gravação com carimbo de tempo sincronizado à Fonte Confiável do Tempo da ICP-Brasil. Se a detecção de vivacidade falhar, a norma manda direcionar para outro método — não é garantida em todo caso.

A pergunta central

A validação por videoconferência é regulamentada

Desde a Lei nº 14.063/2020, a identificação para emitir certificado ICP-Brasil pode ser feita presencialmente ou "por outra forma que garanta nível de segurança equivalente". A Instrução Normativa ITI nº 36/2026 é o regulamento que detalha essa forma equivalente — com exigências técnicas específicas, não uma chamada de vídeo qualquer.

  • É um dos cinco métodos oficialmente admitidos pela ICP-Brasil para confirmar identidade.
  • A norma exige que métodos não presenciais garantam nível de segurança equivalente ao comparecimento físico.
  • Existe desde maio de 2026 um capítulo inteiro dedicado só às regras técnicas da videoconferência.

Como funciona

O que acontece durante a sessão

A sessão segue um roteiro técnico definido em norma, com verificações em cada etapa:

O que acontece numa sessão de validação por videoconferência

Regulamentado pela Instrução Normativa ITI nº 36/2026 — não é um vídeo-chamada informal.

  1. 1

    Escolha do método

    Entre os métodos admitidos pela ICP-Brasil (presencial, videoconferência, uso de certificado válido, módulo eletrônico de AR, AR eletrônica), você opta pela videoconferência.

  2. 2

    Verificação de vivacidade

    O sistema confirma que há uma pessoa real diante da câmera, com detecção anti-deepfake e prevenção contra injeção de imagem ou vídeo gravado.

  3. 3

    Apresentação do documento físico

    Você mostra o documento de identificação físico à câmera, em tempo real, para conferência visual pelo agente de registro.

  4. 4

    Questionário de verificação

    Perguntas de confirmação de identidade são feitas durante a sessão, sem roteiro previamente combinado.

  5. 5

    Gravação com carimbo do tempo

    A sessão é registrada com data e hora sincronizadas à Fonte Confiável do Tempo da ICP-Brasil, e a comunicação segue criptografada de ponta a ponta.

Limite do método

Quando a videoconferência não está disponível

O método existe para ampliar o acesso, mas não é garantido em qualquer situação:

  • Se a detecção de vivacidade falhar, a norma manda direcionar o requerente para outro método de confirmação de identidade.
  • A disponibilidade também depende da autoridade certificadora escolhida — nem toda AC oferece o método em toda emissão.
  • Documentos com problema de legibilidade ou dados divergentes podem exigir uma etapa adicional.

Antes de começar

O que você precisa ter em mãos

Preparar isso com antecedência evita reagendar a sessão:

  • Câmera e microfone funcionando, com boa iluminação e conexão estável.
  • Documento de identificação físico original, legível, para apresentar à câmera.
  • Ambiente sem outras pessoas ou interferências durante a sessão, já que ela precisa ser contínua, sem interrupções.

O motivo do método

Por que esse método existe

Antes da identificação não presencial ser regulamentada, emitir um certificado ICP-Brasil dependia de comparecer fisicamente a um ponto de atendimento — um obstáculo real para quem mora longe de uma capital ou tem agenda apertada.

  • A videoconferência amplia as opções de acesso sem abrir mão da segurança: a Lei nº 14.063/2020 exige nível de segurança equivalente ao presencial, não um nível menor.
  • É o mesmo raciocínio do atendimento online: a validação de identidade segue as mesmas regras da ICP-Brasil, e a diferença está em como ela é conduzida — presencialmente ou por um método remoto equivalente.
  • Para quem está longe de um grande centro, esse método costuma abrir uma possibilidade que o caminho presencial dificilmente oferece com a mesma praticidade.

Perguntas frequentes

Validação por videoconferência é a mesma coisa que uma chamada de vídeo comum?

Não. É um processo regulamentado pela Instrução Normativa ITI nº 36/2026, com exigências técnicas específicas: detecção de vivacidade, prevenção contra deepfake e injeção biométrica, bloqueio de câmeras virtuais, e gravação com carimbo de tempo oficial.

É possível burlar a validação com uma foto ou vídeo gravado?

A norma exige detecção de vivacidade justamente para impedir isso — o sistema verifica sinais de que há uma pessoa real ao vivo, e bloqueia tentativas de usar câmeras virtuais ou material pré-gravado.

A sessão é gravada?

Sim. A gravação recebe carimbo de data e hora sincronizado à Fonte Confiável do Tempo da ICP-Brasil, e a comunicação da sessão é criptografada de ponta a ponta.

O que preciso apresentar durante a videoconferência?

Um documento de identificação físico original, mostrado à câmera em tempo real para conferência visual, além de responder a um questionário de verificação durante a sessão.

A videoconferência está disponível para todos os tipos de certificado?

É um dos métodos admitidos pela ICP-Brasil, mas a disponibilidade concreta depende da autoridade certificadora escolhida — nem toda AC oferece o método em toda situação.

O que acontece se o sistema não conseguir confirmar que sou eu ao vivo?

A norma determina que, quando a detecção de vivacidade falha, o requerente seja direcionado para outro método de confirmação de identidade — a videoconferência não é forçada quando não funciona com segurança.

Preciso de algum aplicativo específico para a videoconferência?

A solução tecnológica é fornecida pela própria autoridade certificadora — o que você precisa levar é câmera, microfone, conexão estável e o documento físico, conforme a orientação de quem está conduzindo a emissão.

Quanto tempo dura a sessão?

A norma não fixa uma duração exata; exige que a sessão seja em tempo real e sem interrupções ou pausas até a conclusão da verificação.

Essa regra é recente?

A Instrução Normativa ITI nº 36 está em vigor desde 5 de maio de 2026 e substituiu normas anteriores que tratavam do tema de forma menos detalhada.

A validação por videoconferência tem o mesmo valor jurídico da presencial?

Sim — a Lei nº 14.063/2020 admite identificação não presencial desde que garanta nível de segurança equivalente ao comparecimento físico, e é exatamente esse padrão que a IN ITI nº 36/2026 regulamenta.